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Posted on 2008.01.11 at 18:30
Olá amigos,
sei que faz muito tempo que não posto aqui, inclusive creio que faz muito tempo que ninguém entra aqui.
Mas, de qualquer forma, quem quiser saber o que ando pensando e escrevendo sobre a vida, pode acessar aqui:
http://www.obinoculo.com.br/renato_rios.htm

Estou escrevendo quinzenalmente(as vezes semanalmente) neste espaço.

Abraços

Um ditador, um revolucionário e duas torcidas

Posted on 2007.06.18 at 16:28
A torcida atleticana é conhecida por sua paixão e fanatismo. O amor é cego, diz o ditado. E a massa alvinegra, movida por essa paixão avassaladora, é capaz de cometer loucuras e atos imagináveis, justificados apenas pela lógica torta do amor.
Um exemplo recente dessa história vem sido notado por alguns freqüentadores do mineirão. No meio da Torcida Organizada Galoucura há uma bandeira com a imagem de um senhor de idade, com uma cara séria, um certo René Barrientos. Em baixo, os dizeres: “O sonho acabou”.
O torcedor mais incauto pode se perguntar: quem é esse sujeito? Talvez um reconhecido atleticano da velha guarda? Quem sabe um criador de alguma torcida alvinegra? São teorias que podem surgir na cabeça do curioso atleticano. Mas o que poucos imaginariam e o que poucos sabem é que René Barrientos foi um presidente militar de direita, que governou a Bolívia, com mãos de ferro, de 1964 a 1969.
Mas o que liga a Galoucura a um ditador de direita? Difícil de traçar um paralelo? Bem, nem tanto. Há alguns anos que a torcida Máfia Azul, do Cruzeiro, tem adotado a imagem de Che Guevara em suas bandeiras e camisetas. E Che Guevara morreu nas selvas da Bolívia, lutando em uma guerrilha, contra o governo de quem? Ninguém menos do que René Barrientos. Ou seja, René Barrientos se tornou um ídolo atleticano porque matou um ídolo cruzeirense.
Não há nenhuma questão política envolvida na escolha desse novo ícone, antes que algum esquerdista se benza toda vez que ver a Galoucura no Mineirão. Um funk da torcida mostra bem o espírito da coisa “Esse cara é 22, só fez loucura, René Barrientos, 100% Galoucura”. 22 é uma alusão ao artigo do código penal que diz que quem mata sobre coerção hierárquica militar não é culpado, o culpado é o mandante do crime. No caso da morte de Che, o culpado não foi o soldado do exército boliviano que apertou o gatilho, e sim René Barrientos que ordenou a execução.
Che Guevara, René Barrientos, Comunismo, Ditadura militar, direita, esquerda. Todos conceitos importantes para se entender a história política mundial do século XX, mas quando se entra no campo das paixões futebolísticas, essas figuras e conceitos emblemáticos se tornam apenas símbolos para embalar as rivalidades .
E como disse o poeta “quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração”.


A beleza dentro dos ringues

Posted on 2007.06.05 at 16:42
O boxe é um dos esportes que mais atraí a atenção de escritores, cineastas, músicos e demais artistas. Dezenas de obras-primas foram produzidas sobre esse esporte, que visto de longe pode parecer apenas uma barbárie praticada por brutamontes acéfalos.
Mas muitos dizem que o boxe é uma das metáforas mais cruéis da vida. Um ringue, dois oponentes. A vitória e a derrota como possibilidades. Sem empate, sem prorrogação. Cada movimento pode levar a glória ou a derrocada. Os olhos da platéia seriam como os olhos da sociedade, que não perdoam nenhum movimento em falso.
Sendo o boxe uma representação da vida, a arte não poderia deixar de representá-lo.
No cinema, é inevitável lembrar de Rocky Balboa. O personagem brucutu, porém meigo, é uma das figuras mais carismáticas da sétima arte. O primeiro filme da série tomou o mundo de assalto. Rocky, um capanga da periferia de Philadelphia e boxeador amador, era um sujeito solitário, sem cultura, sem estudos, sem perspectivas. Até que um dia, surge a oportunidade de sua vida. Encarar o invicto campeão mundial dos pesos pesados, que procurava algum lutador desconhecido para desafiar. As chances de vitória são perto de zero, mas Rocky Balboa aceita o desafio.
O mais interessante de “Rocky” é que ele não ganha a luta. A graça da coisa não está tanto na vitória, mas sim na beleza de se lutar como um bom lutador. Perdedores e vencedores são termos relativos, e não tão importantes, quando se tem certeza de que se lutou com honra.
Com uma abordagem mais profunda, há a obra prima, “Touro Indomável”, de Martin Scorcesse. O filme conta a história do bruto Jake La Mota (interpretado magistralmente por Robert De Niro). O boxeador lutava com o coração em um estilo completamente animalesco, tal qual um touro. Uma máquina de socos, que destroçava qualquer rosto a sua frente. Até na hora de perder, La Mota era como um touro teimoso, que mesmo ferido, se recusa a cair.
Ao contrário de Rocky, La Mota não era uma figura doce ou meiga. Em casa, refletia sua personalidade violenta, ao sentir um ciúme doentio de sua esposa. O filme também mostra, sem maniqueísmo, os bastidores do esporte. Os acordos debaixo do pano, o dinheiro, as bolsas de apostas, a luta para entrar no peso, o álcool, e, o mais importante: mostra como a glória e a decadência andam perigosamente juntas. A filmagem em preto e branco, as atuações impecáveis de De Niro e Joe Pesci e o jeito poético, e ao mesmo tempo, visceralmente violento, de se filmar as lutas, fazem desse filme um dos grandes clássicos do cinema.
Na literatura o esporte também é muito bem representado. Hemingway, por exemplo, era um exímio lutador de boxe, e lendo as suas obras, é possível traçar um paralelo com o esporte. Cada frase curta é como um jab. Cada parágrafo cortante é como um direto seco, que não perdoa o oponente; no caso o leitor.
Engraçado que Hemingway dava aula de boxe para grande parte da geração perdida - escritores estrangeiros que moravam em Paris, na década de 30 - inclusive para James Joyce. É no mínimo inusitado imaginar o cerebral escritor irlandês treinando boxe.
Há também outros exemplos, como o recém-lançado no Brasil, “Por um bife e outras histórias de boxeadores” de Jack London, outro escritor lutador. E “Garota de Ouro”, que é na verdade uma seleção de contos de F.X. Toole sobre o mundo do boxe. O filme – ganhador do Oscar de 2005 – é uma mistura de vários desses contos. Para quem gostou do filme, a leitura do livro é obrigatória, pois o livro se aprofunda ainda mais nos personagens e há algumas histórias geniais sobre o mundo da luta que não estão no filme.
Na música também há canções excelentes sobre o tema, como “Boxers” de Morrissey, que canta a dor de um boxeador que perde na sua cidade natal e se vê solitário, decadente, e sentindo uma dor física imensurável. No Brasil, o cantor, e boêmio Nelson Gonçalves começou sua vida como boxeador, tendo sido inclusive campeão paulista dos pesos médios.
Mesmo que você não esteja disposto a subir em um ringue e correr o risco de quebrar o seu nariz, ou de ganhar um, nada bonito, olho roxo, não perca a chance de entrar em contato com essas obras, que sem dúvida alguma vão nocautear muitos preconceitos.


Crescer?

Posted on 2007.03.10 at 17:15
Quanto menos grana você tem, mais você pensa em dinheiro. As dívidas acabam com qualquer romantismo possível, qualquer possibilidade de gozar a vida plenamente. Tudo tem um preço, você será cobrado, mais cedo ou mais tarde, diz a cabeça do homem endividado.
Um sorriso da pessoa amada traz uma precatória, um estado de leveza e fuga da realidade cotidiana traz uma fatura de cartão de crédito.
E assim você se enxerga preso na figura de mais um burguês filho da puta. O típico clichê de homem-branco-classe-média que você tanto desprezou na sua, não tão longe, juventude.
Aonde você errou? O que aconteceu?
Ninguém sabe ao certo.

amargo

Posted on 2006.08.28 at 23:54
Já não agüento mais a pressão. Penso nisto enquanto espero na sala da minha analista. O rádio vomita mais e mais más noticias, o mundo esta explodindo com revoltas, epidemias, crises e eu preocupado demais com os meus probleminhas pessoais, típicos de um ser egoísta. Como eu.
Levantei-me e saí do consultório. Hoje aquela vaca não ouviria os meus problemas. Odeio aquele olhar de superioridade, aquelas palavras pretensamente sábias, que só me fazem andar em círculos. Estou me afogando, estou cansado de pensar. Quero mais soluções e menos questionamentos.
Saí do prédio e olhei para cima. O céu estava nublado, e a perspectiva de uma chuva me deixa estressado. Odeio chuvas, quer dizer, odeio chuvas quando estou a pé, na rua. Elas conseguem sempre molhar o meu pé e não há nada mais irritante do que pé molhado. Caramba, mais uma vez me pego com preocupações ridículas. Devo ser um cara superficial mesmo, só pode.
Não tardou para a chuva cair e meus temores virarem realidade. Corri para debaixo de uma marquise, vi a chuva caindo, as pessoas correndo, os carros se aglomerando, berrando através de buzinas histéricas. Senti-me enojado de estar ali, no meio daquela loucura toda. Queria fugir, apesar de não saber para onde. Talvez uma cabana isolada, com bons discos e livros. Talvez... Meu devaneio misantropo foi brutalmente interrompido por uma ducha fria, proporcionada por algum filho da puta, que estava confortavelmente seco dentro do seu carro do ano. Queria matá-lo, socá-lo, até que ele virasse uma massa avermelhada uniforme. Queria que alguém pudesse sentir na pele toda a minha frustração. Alguns segundos se passaram e me perguntei se isso era ódio mesmo ou apenas inveja. Fiquei com a segunda opção. Apesar de estar na dúvida.
Resolvi encarar a chuva e comecei a andar na tempestade - como diz o ditado, não sou de açúcar. Só não queria molhar os meus pés, mas a esta altura eles já estavam encharcados mesmo. Ando em meio a pessoas correndo. Elas têm guarda-chuvas, mas correm mesmo assim. Isso me parece tão idiota. Ando lentamente, como é o meu normal. A chuva me lava... Queria que ela levasse embora minha sujeira, meus pecados, meu ódio, minha inveja, meus amores mal vividos. Queria, talvez, uma chuva ácida, que me derretesse, fizesse de mim uma gosma que procuraria o seu caminho, rumo ao mar, junto à água da chuva.
Não sei muito bem para onde ir. O destino óbvio é a minha casa, mas não quero ter que enfrentar o tédio que ela me proporciona.As ruas não estão receptivas também: eu já havia ligado o foda-se para a chuva, mas mesmo assim ela continuava a incomodar. A água entrando nos meus olhos me deixa ainda mais mal humorado. Botei minha cabeça para pensar em algum lugar interessante para ir - mas eu sei que esse lugar, simplesmente, não existe.
Andava sem rumo, obviamente encharcado, quando vi uma igreja evangélica, uma dessas quaisquer. Observei um grupo de pessoas, todas aparentemente humildes, entrando na igreja. Decidi entrar também, não tinha para onde ir mesmo. Sou ateu convicto, mas gosto de observar o circo humano nas mais variadas situações e, quem sabe, ali não seria um bom lugar para se fazer isso. E eu ainda poderia esperar a chuva passar ou, pelo menos, diminuir.
Sentei em um banco próximo à porta, e não teve como não perceber o olhar de todos fiéis em direção à minha estranha figura. Conseguia sentir o clima de mistério no ar... “O que este estranho está fazendo aqui?”, era a pergunta que devia estar na cabeça de todos.
O pastor deu seqüência a seu sermão e senti inveja de todos aqueles idiotas. A dicotomia proposta pelo pastor era genial. Desemprego drogas depressão suicídio angústia = diabo. Amor felicidade saúde dinheiro = Jesus. Simplesmente genial. A minha vida ficaria tão mais simples se eu conseguisse engolir isso tudo. Mas eu não conseguia - pelo contrário, ficava ainda mais enojado.
Acendi o meu cigarro. Vi todos me fuzilando com os seus olhares de adoração ao senhor. Levantei-me e fui embora.
A chuva havia cessado e decidi ir para minha casa. Já era início de noite e o tédio nas ruas era opressor. Pensando bem, o tédio é inevitável. Os lugares eram variáveis, mas o tédio é sempre uma constante. Há muito tempo já havia desistido de tentar desmontar essa cruel equação.
Cheguei rápido ao meu prédio. Moro em uma região nem um pouco charmosa ou agradável, mas, com o tempo, me acostumei. A vizinhança, composta em sua maioria por putas, travestis, traficantes de quinta e velhas solitárias, não chegava a me incomodar. Valia a pena suportar isso tudo, já que o preço era bem razoável e a localização central me agradava.
O elevador estava em manutenção - para variar. Subi pela escada e cheguei bufando em casa. Minha casa não era bem uma casa, era um cubículo, um ninho: meu pequeno ninho de amargura, ódio, solidão e autodepreciação.
Entrei naquele apartamento quase vazio. Alguns poderiam dizer que era uma decoração minimalista, mas era apenas pobreza e preguiça mesmo. Poucos móveis, todos eles sem graça. Bateu-me um desespero: o apartamento pobre, vazio e sem graça refletia bem o meu estado interior. Eu era vazio – vazio, pelo menos, de bons sentimentos. E, definitivamente, eu era sem graça, justamente como aqueles móveis - puídos e acinzentados.
Tirei meu sapato e meu medo havia se confirmado. Minhas meias estavam molhadas - as tirei e me deparei com meu horrível pé molhado, com uma coloração cadavérica, que o deixava ainda mais horrível. Decidi tomar um trago antes que me matasse, ou que vomitasse por causa do asco que sentia pela minha pessoa. Tomei vodka com Tang de laranja. Era o que tinha em casa.
Enquanto bebia meu rústico drink, liguei a TV e comecei a ver qualquer coisa que estivesse passando. Queria me distrair com qualquer coisa. Simplesmente não agüentava mais pensar. Estava passando uma comédia romântica, dessas ridículas, tão comuns na década de 90. Eu via aquela história chocha de amor acontecendo diante dos meus olhos e nesses mesmos olhos comecei sentir uma amarga lágrima sendo produzida. Tentei impedir que ela viesse, mas não foi possível. A lágrima nasceu: um parto dolorido e não consentido. Foi mais forte do que eu. Ao ver aquela história boba, mais uma vez senti inveja. Sabia que jamais viveria algo como aquilo. O amor foi uma invenção cruel de cineastas e escritores baratos, que querem matar de inveja a corja de solitários que, como eu, habitam este planeta. Jamais acharia alguém para dormir ao meu lado todos os dias, alguém para ir ao cinema, alguém para me ligar no meio da tarde, só para ouvir minha voz. Enfim, alguém.
A lágrima caiu, lentamente, no meu copo. A bebi como quem bebe todos os seus remorsos, todas as suas culpas e pecados. O drink desceu mais amargo do que o usual.
Fui ao banheiro com a bebida em minhas mãos. Abri a gaveta dos remédios e peguei o Rivotril. Fitei-o por um bom tempo: pensei em tomar a caixa toda, mas não... sou covarde demais para isso. Peguei um comprimido e tomei. É foda: além de ser sozinho, não consigo me suportar. Precisava dormir, nem que fosse um sono químico e forjado.
Deitei na minha cama e senti o mundo rodar, uma, duas, três, quatro, sei lá quantas vezes. Fechei os meus olhos e esperei que os sonhos trouxessem, finalmente, um pouco de doçura à minha vida.


Posted on 2006.04.27 at 18:10
Venho travado uma ardua batalha,
Luto contra a pervesidade da distancia
Contra a acao intransigente do tempo
Que tenta fazer de mim
Uma vaga lembranca

Luto pra me manter vivo em seu coracao,
quando sou apenas palavras e sons
Como eh dificil a vida sem o toque
Sem o olhar

Mas mesmo assim luto
Luto por ti,
A minha eterna musa

Ceticos, nilistas e amargos endagarao:
Porque encarar essa missao espinhosa?

Porque tu vale a pena.
Eh linda
Gostosa,
Original
Brilhante
E uma serie de adjetivos que ainda nao foram inventados.

E eh por isso que nao vou me abaixar
ao tempo e a distancia.
Lutarei pelo seu amor,
Sempre.

Garota Aflita

Posted on 2006.01.11 at 19:21
Garota aflita

Inspirado em Girl Afraid do The smiths


Joana estava aflita, “queria tanto poder ler a mente dele, será que ele gosta de mim?” Era o que pensava, enquanto tentava estudar para uma prova de comunicação interada 2. Estava no 4 período de economia, mas isso não vem ao caso. Lia tudo, porém, era como se não estivesse lendo, só conseguia pensar naquele menino, tão diferente dela, mas ao mesmo tempo tão atraente.
Mas ele nunca olha para mim, eu dou todas as oportunidades para que ele se toque. Hoje mesmo, no laboratório de informática, eu sentei e fiquei parada. Olhando para ele. Dei todos os sinais possíveis, ou pelo menos acho que dei. Sorri, pisquei, mexi com o meu cabelo. E ele, nada! Ficou parado, me olhando com uma cara de peixe morto.Odeio ser desprezada assim. Jamais vou cometer esse erro novamente.
Não muito longe dali, na verdade a duas salas de distancia, Bernardo estava aflito. Porque aquela garota tão diferente mexia tanto com ele? Ele era o que chamam de um cara alternativo, gostava de indie rock, tinha tatuagens, etc. Ela, uma garota de elite, daquelas que parecem não ter nada na cabeça. Porque se sentia tão atraído assim?
Mas é melhor ser prudente, eu sei que vou tomar um fora ali. Ela é tão diferente, parece ser daquelas garotas que só se importam com grana, e ta aí uma coisa que eu não tenho. E eu SEI que ela não gosta de mim. Eu dou todas as chances para ela se aproximar. Hoje mesmo, no laboratório de informática, eu estava lá, olhando para ela, dei todos os sinais possíveis, pelo menos eu acho. Fiquei a olhando, sorri, pisquei, fiz tudo, e ela, nada. Ficou parada, me olhando feito uma zumbi. Odeio ser desprezado assim. Jamais vou cometer esse erro novamente.

Insone

Posted on 2006.01.04 at 00:31
Já é tarde de noite e o sono não consegue me atrair. Já rodei todos os canais possíveis, já li até o olho arder, já entrei e saí da Internet umas quinhentas vezes.
Queria poder simplesmente fechar meus olhos e dormir, mas não, isso não parece ser possível. Vou a janela e espiono a cidade, são 2:30 e há apenas uma ou outra janela com a luz acesa. Penso nesses companheiros insones, o que estão fazendo? Se masturbando? Tentando se matar? Assistindo Televisão?
O fato é que não consigo me comunicar com eles, nossa irmandade fica selada na minha cabeça louca que não consegue pensar em nada melhor. Seria genial poder unir todas essas almas perdidas e fazermos uma festa. Na qual beberíamos até cair e esqueceríamos que esse mundo não foi feito pra gente.
Vou a cozinha e faço um ovo cozido. Dizem que a noite é bom comer apenas proteínas, como se eu tivesse algum resquício de vaidade a essa hora. Mas acabo seguindo o conselho, na falta de opções culinárias apuradas ou de qualquer coisa mais fácil. Vinte minutos na água, mais vinte minutos que terei que inventar algo a se fazer. Posso ficar olhando a chama que sai do fogão, lembrar de Joana Darc e tantos outros queimados pela inquisição. Eu seria um desses, um bruxo, vitima da fúria dos cristãos tementes ao senhor. Um herege, perdedor e solitário. Ah, e insone também. Minhas divagações não duraram muito mais do que 5 minutos, ainda restam quinze minutos para o meu amado ovo. Deito no chão gelado da cozinha e fecho meus olhos. O silencio do meu apartamento é cortante, lembro que daqui a algumas horas terei que despertar para o trabalho e que ficarei o dia inteiro bocejando na frente do computador.
Por que o sono combina tanto com o dia?
Não sei a resposta, mas sei que deveria ter um emprego a noite. Segurança de boate? Não, meu físico jamais daria pra coisa. Atendente de telemarketing? De jeito nenhum, gerundimos e apoio ao cliente não fazem o meu tipo. Taxista? Até seria uma boa, quem sabe um dia.
Olho para o relógio na parede e vejo que esta na hora de saborear o meu banquete. Ovo com sal, simples, nutritivo, perfeito. Em menos de um minuto a iguaria já foi devorada.
Voltou ao meu quarto e tento, pela sei lá qual vez, dormir.

Posted on 2005.12.29 at 22:53
Todo final de ano surge esse mesmo drama: o que jogar fora na amontuera de coisas que é o meu quarto?
Tenho um problema sério para jogar coisas foras, sério mesmo. Acho que sou "sensível" demais e me apego a qualquer pedaço de papel que me traga uma lembrança. Só que os papéis vão se acomulando e meu quarto se torna inabitável.
Então, todo final de ano, tento dar uma limpada nele. Mas acho tão dificil ser frio o bastante para saber qual lembrança física jogar fora.
Quero um quarto gigante!

Dia quente

Posted on 2005.12.24 at 14:12
Às vezes decido escrever assim, sem roteiro ou idéias pré estabelecidas. Apenas um fluxo contínuo de idéias ou palavras.
Esses textos não têm nexo e muito menos vida longa. São espasmos que têm como finalidade apenas me acalmar, me manter “são” nesse mundo sem sentido e chato.
O céu esta lindo, esta um calor daqueles e eu simplesmente me recuso a sair do meu quarto. A escuridão que ele me proporciona é agradável, não estou pagando de maldito ou de gótico, simplesmente não estou no clima de ficar no sol ou de ter que conviver com pessoas bêbadas e estupidamente alegres.
Mas o que você quer, afinal de contas? Bem, não sei ainda. Queria ler, mas não tenho saco! Queria escrever, mas não tenho histórias. Queria dormir, mas não tenho sono! Queria morrer, mas ainda tenho muita vida!
Ah, hoje é véspera de natal e eu nunca fui tão indiferente assim. Esquisito isso :/


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